12.3.18

UMA PALAVRA || SAUDADE


Na altura do meu aniversário, quando respondi a este Q&A, uma das perguntas que me fizeram foi "qual a palavra que mais te marcou durante a tua vida?", pensei e demorei algum tempo a escolher, mas sem dúvida que a palavra que mais me marca é Saudade

Desde que nasci o meu pai esteve sempre fora do país, não me lembro de passar o Natal com ele, passei dois, mas era tão pequenina que as memórias não existem e as que existem são com o auxílio de fotografias. Desde sempre estou habituada às chegadas, carregadas de sentimento, chocolates e abraços, mas depois chega a hora da despedida, das lágrimas e de mais uma porrada de meses longe dele. 
Mesmo estando habituada a esta ausência, a saudade nunca desaparece e a despedida nunca custa menos, afinal é o meu pai e é uma das pessoas a quem devo a minha vida. Sei que é para nos dar sempre o melhor, sei que é o maior esforço da vida dele, sei o quanto lhe dói passar nove meses num país que não é o dele, longe dos dele. Mas também sei que seria melhor ter menos um bocadinho e tê-lo sempre cá, já lhe disse. Não pensem que sou ingrata, dou-lhe todo o valor e mais algum e é por lhe dar tanto valor que me pergunto se não era preferível tê-lo cá e vivermos com menos um pouco. 

Até aos meus quinze anos, passávamos o Verão inteirinho lá onde ele está, mas agora é mais complicado. Por isso, morro de saudades o tempo todo. Mesmo das discussões infinitas, sim, porque eu e o meu pai somos tão mas tão parecidos que estamos sempre a teimar um com o outro. Como ambos somos a teimosia em pessoa é um tempo indeterminado até que um de nós ceda, mas lá tem de ser. 

Sempre acompanhei com ele para todo o lado, ainda me lembro de irmos de mota - naquelas super antigas, que fazem imenso barulho -, ele dizia que ia a qualquer sítio e eu levantava-me e lá ia, agarrada a ele e a sentir o vento - adorava.
Tenho muitas memórias de brincadeiras, de passeios, dos piqueniques, sei que apesar desta distância tive uma infância feliz e tenho uma relação próxima com ele. Aliás, a primeira palavra que eu disse foi papá e ele não estava cá, a minha mãe ia-me mostrando uma foto dele todos os dias e dizia que era o pai, quando ele veio não estranhei nada e chamei-lhe logo papá

Partilhei com vocês a chegada dele, mas já voltou a ir. Faltam nove meses para o ver novamente, ou se tudo correr bem, este ano no Verão vou tentar visitá-lo. E querem saber uma coisa? Já tenho saudades. 

11 comentários:

  1. Fiquei triste por ler isto...
    Não considero que sejas ingrata e percebo o que queres dizer. A saudade custa mais do que viver com um pouco menos.
    Apesar da ausência prolongada o que vale é a relação boa e forte que conseguiram estabelecer à mesma e que tanto te marca, como é bem visível.
    Não sei o que é estar assim porque não o vivo, mas compreendo perfeitamente aquilo que aqui escreves.
    Espero que o consigas ir visitar. Muita força querida*

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  2. Acredito que te custe mesmo muito. Estando num país longe pior ainda. Mas tens memórias boas e isso vale ouro. Espero que o consigas visitar no verão e fazer novas memórias para mais tarde recordares .

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  3. Oh!
    Fico triste em saber que não podes ter contigo o teu pai todos os dias mas é bom saber que têm uma boa relação e que quando o vês sentes esse amor que transpareceu no texto!
    Espero que o consigas visitar! x

    Meet me for Breakfast

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  4. Fiquei completamente emocionada ao ler o teu texto, minha querida ❣
    Custa sempre muito não estarmos perto daqueles que nos são tanto, sobretudo quando sabemos que não podemos matar essas saudades quando bem queremos. Por isso, compreendo perfeitamente quando dizes que preferias viver com um pouco menos mas tê-lo cá. No teu lugar, acho que pensaria da mesma forma.
    Espero mesmo que o consigas ir visitar no Verão. Até lá, agarra-te a essas memórias tão maravilhosas!

    r: Um dia, vamos partir à descoberta do que o mundo tem para oferecer :)
    Aceito a companhia!
    Também não me importava nada de visitar os locais que mencionaste :D

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  5. Não sei o que isso é mas imagino o que estejas a sentir! Tens de te agarrar às boas memórias e aproveitar ao máximo os momentos que passam juntos.

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  6. Ainda me lembro da intenção que tinha ao colocar-te esta pergunta, era precisamente esta, que te levasse a reflectir de forma profunda e que te fizesse perder entre memórias, sorrisos e lágrimas. Adoro o poder que as palavras, os gestos e os trejeitos têm na nossa vida. Lamento imenso que o teu pai esteja fora, de facto, compreendo o que queres dizer quando referes que preferias viver com um pouco menos... afinal, o objectivo da vida do papi está a ser sustentar-vos. Porém, pensa que os momentos em que estão juntos são tão intensos, familiares e bonitos que valem por tudo. Sei que fazes por aproveitar todos da melhor forma e espero que te agarres a esse pensamento muito bonito.
    Um beijo muito carinhoso e um xi-coração bem apertadinho.

    P.s.- desculpem a minha ausência, tenho andado um pouco off.

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  7. r: Concordo contigo, até porque nos dá sempre a possibilidade de explorar outras ideias.
    Como é bom ler isso. Obrigada *.*

    Muito bem lembrando, minha querida :)

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  8. Deve ser muito difícil mesmo, nem quero imaginar se estivesse na tua posição..
    Força querida :)

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  9. Não imagino o que isso seja, sempre tive a sorte de ter os meus pais perto de mim. Deve ser mesmo muito difícil, viver com as saudades constantes do teu pai. Mas agarra-te às boas memórias, e aproveita as tecnologias para falar com ele sempre que podes. Muita força :).
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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  10. Acho mesmo admirável continuares a conseguir ter uma relação próxima com o teu pai apesar de estar longe a maior parte do tempo. Que tudo corra bem para que o consigas visitar este verão!!!

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  11. Isto de ter a família distante é uma coisa horrível. Eu tenho uns tios, e principalmente um primo que cresceu comigo e oh pah já sofro imenso com as saudades nem quero imaginar se fosse o meu pai!

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