31.7.17

O QUE NUNCA TE DISSE

Sim, é para ti. Ao tempo que não te escrevo, felizmente. Aliás eu nunca soube escrever para ti. Já lá vão quase quatro anos, como estás? Sei de algumas peripécias da tua vida, porque sabes que cá tudo se sabe, não foi porque tentava saber. Eu sei que não consegues perceber como me perdeste, a mim que noutra altura teria feito tudo e mais alguma coisa só para te ter por mais cinco minutos, a mim que durante quatro anos corria para os teus braços sempre que tu querias, a mim que mesmo depois de um ano sem me falares te abri o coração de novo. O mal foi esse, sempre que tu querias. Perdi-me, mas o que importa é que me encontrei. Se tu soubesses como eu mudei, não por ti, mas para mim e por mim.

Um dia, percebi que apesar do amor merecia mais do que o que me estavas a dar, merecia mais do que as tuas voltas inesperadas sempre que tentava reconstruir a minha vida. É e fiz aquilo que tu jamais imaginarias que acontecesse, larguei-te, logo tu que estavas habituado a ir e a voltar quando querias e bem te apetecia. Perdeste, meu caro. Hoje passo por ti de cabeça erguida, mas ainda te noto o orgulho ferido, ainda sinto os teus olhos postos em mim como que a contemplar tudo que faço. As pessoas aprendem e eu aprendi com o melhor, contigo. Ensinaste-me muita coisa, sem dúvida, agradeço-te por isso, mas também me ensinaste a ir quando me apetece e eu fui, voltei, e voltei a ir, só que dessa vez para sempre. Foste tantas vezes, que quando quiseste voltar deste-te conta que eu já não estava mais ali, no "nosso sítio". Deixei de ser o teu porto seguro quando te cansavas das outras, deixei de estar ali para que viesses matar as tuas saudades sempre que querias. Eu sei que fui importante para ti, no meio de tantas idas e voltas, houve amor, um amor com o qual não soubeste lidar da melhor forma. Foste o meu ponto fraco durante muito tempo, aprendi coisas contigo mas ainda mais comigo própria, agora aceito as palmadas da vida, calmamente. Se soubesses como estou feliz, dá para perceber não dá? Espero que um dia encontres alguém que te dê o mesmo que me dão a mim neste momento, que te digam todos os dias o quão especial és, que te dêem aquilo que não me soubeste dar às vezes e que tu lhe saibas dar também. Espero que me desejes o mesmo que te desejo a ti, uma felicidade imensa.

Acredito que te perguntes muitas vezes se eu te odeio, e eu não te odeio, até porque nem tudo foram coisas más, eu fui feliz contigo, quando estavas eras a melhor pessoa do mundo, o problema era ires embora demasiadas vezes. E mesmo depois das lágrimas e da dor que me provocaste eu ainda te desejo tudo que há de bom neste mundo e estaria a mentir se dissesse que todo o carinho que sentia por ti desapareceu, mas o amor, esse já voou há muito tempo. 

30.7.17

MARY E AS SÉRIES || CRIMINAL MINDS


Esta é uma das séries que vejo, sou completamente viciada, aliás eu sou completamente viciada em tudo que seja policiais, que envolva psicopatas, sociopatas, etc, sejam filmes ou séries. Adoro. Eu sei que se baseia quase sempre no mesmo, um caso que acaba por ser resolvido, mas desperta-me imensa curiosidade perceber de que é que o cérebro humano é capaz. Apesar de saber que aquilo não é propriamente real sabemos que os serial killers existem e o quão diabólicas e retorcidas são as suas mentes. Fascina-me perceber o que está na origem de tamanha maldade, qual a história, o passado, as marcas, o que acontece no cérebro.
Não é à toa que mal soube que ia abrir Criminologia na Universidade do Minho tentei a minha sorte ahah.

29.7.17

1-0 LEUCEMIA

Nem todos os relatos da minha vida que vos conto são maus mas realmente podia escrever um drama da minha vida. ahahah.

Hoje é um acontecimento diferente onde aprendi tanto mas tanto! Com os meus 16 anos uma das pessoas que mais amo no mundo, a minha prima Ana (não é o nome verdadeiro, isso deixo a vossa imaginação) foi-lhe diagnosticado Leucemia. Ela tinha 5 anos na altura. Foi um choque enorme para nós família mas nem imaginam a força daquela criança.
Quando a vi a primeira vez depois do isolamento (é algo normal depois do diagnóstico), estava com uma máscara e eu só a podia ver através do trinque da porta. Estava igual.Linda com o seu cabelo cheio de caracóis, começou logo a gritar do outro lado da porta : "Jane, tenho tantos brinquedos novos, anda vamos cantar com o meu micro novo!" Nem quis acreditar. Nem parecia doente.
Mas à medida que o tempo foi passando começou a notar-se. Teve de cortar o cabelo pois já lhe caía e como não se podia expôr foi uma grande amiga da família cabeleireira lá a casa cortar-lho. Toda a gente chorou, menos eu (verdade, não chorei ahah). Foi a única vez que a vi triste. "Jane, já não vou ser bonita com o cabelo curto?" Fiquei de coração partido. Então decidi fazer-lhe uma promessa: "Amor eu corto o meu cabelo para ficar igual a ti. Adorei o corte quero um igual. Para ser linda como tu". Nem imaginam o quanto ela ficou feliz. O sorriso dela ainda me passa na mente sempre que me lembro.
Dias depois fui com ela e com  mãe ao IPO do Porto e eu tenho um grande e volumoso cabelo. Quando entrei na sala havia crianças carecas, sem pernas, em cadeira de rodas mas nenhuma chorava ou fazia birras. "Jane, aquela menina ali é a Cláudia, ela não tem pernas. Não é Cláudia? Mas somos amigas e brincamos muito" "Jane, aquele é o Picamilho o meu amigo, quero que vocês sejam namorados, pode ser?". Ri-me o dia todo. Até que uma senhora me diz: "Querida, devias aceitar, não uses peruca" ahahah não lhe respondi. Afinal não era peruca, era o meu cabelo. E foi aí que me bateu a coragem e no dia seguinte cortei o meu longo cabelo. Ficou igual ao da minha guerreira.

Com o tempo, ela ficou frágil e o corpinho dela também. Passava noites em casa dela para poder ajudar a mãe e o pai que já estavam cansados e dar-lhes umas noites de sossego. Um dia numa brincadeira disse-lhe: "Ana vou ser a tua menina das alianças eu?" Ela respondeu: "Não, Jane, sua tola, eu não vou casar. Eu estou doente"
Foi uma dor no peito horrível, como poderia eu fazer-lhe promessas de vida eterna? Ou responder a afirmação dela?
Outro dia, quando já só tinha uns fios de cabelo, pediu para eu lhe dar banho. Mas a dor que o corpo dela sentia a tocar na água era horrível de se ver. Ela queria que lhe lavassem o cabelo, os fios que ainda tinha. Quando lhe pus o champô comecei a chorar. E ela preocupada diz: "Jane sou tão tola, molhei os teus olhinhos anda cá que eu limpo". Tinha 5 anos! Como era possível? Nunca a vi chorar, queixar ou gritar por estar doente! E estava era preocupada comigo?

Passado uns meses, a luta acabou. A minha princesa ganhou . Nem imaginam o quanto foi feliz. Na altura a U.Dream uma associação incrível, cumpriu-lhe o sonho de conhecer o Pedro Teixeira, o ator (não é burra ela, escolheu o jeitoso ahahah) e a Liliane Marise, a atriz Maria João Bastos. Quando vejo as fotos, acredito que o destino é bom. Que a vida nos ensina a ser fortes com estas batalhas.

Por isso tenho fé com a minha mãe. Por isso luto com ela e lutarei sempre. Espero que tenham fé também. Afinal a minha princesa deu 1-0 à Leucemia. Nós podemos dar 1000-0 aos problemas.

Xoxo, Grata à vida por ter pessoas assim.

A CHAVE É SONHAR

"A chave é sonhar.
E cagar nos profetas da impossibilidade. Naqueles que dizem «sim, mas», naqueles que dizem «não é possível», naqueles que dizem «não vamos ser capazes», naqueles que antes de dar um passo têm de saber o que vão pisar. Coitados. Não sabem que só o que é surpresa nos surpreende, e que só o que nos surpreende nos mantém vivos. 
A chave é sonhar."

Sonhem, acreditem, arrisquem, é com as quedas que a gente aprende, é com as vivências que sabemos o que não voltar a fazer, não fiquem pelo "e se...", vão em frente com medo, mas com coragem. 

27.7.17

FAMÍLIA PRIMEIRO

Poucas vezes falo sobre isto, mas ontem foi o dia dos avós. Já não tenho avô paterno nem materno desde os meus 13 anos. Eram pessoas totalmente diferentes. O meu avô P. era pai de 11 filhos, rígido mas emocional (daí eu também ser chorona) enquanto que o meu avô A. era sereno e doce.

Os dois morreram em Janeiro, um no dia 5 e outro no 6. O meu avô P. morreu pela fraude do hospital. Esqueceram-se dele, da pneumonia dele. E morreu sozinho, apesar de ter 11 filhos ,40 netos e 10 bis-netos. Segundo a autopsia foi gripe A mas ninguém acreditou pois ninguém foi contagiado. 
O meu avô A. suicidou-se no dia seguinte. Foi horrível, ele era e é a melhor pessoa que conheci, culto, bondoso. A vida dele foi dura depois da guerra no Moçambique. Lembro-me das tatuagens dele feitas a sangue frio. Tinha uma dedicada à minha avó com os nomes deles. Fê-la quando ainda não eram casados. Era assim o amor na época.
Esconderam-me tudo da morte dele. Até uma tia alcoólica me vir contar da pior maneira, já alcoolizada. 
Demorou anos para eu saber da verdade toda. Aos olhos de uma criança, a vida é perfeita, a família perfeita. Mas descobri que não. Descobri que quando o meu avó se enforcou levou uma foto minha com uma nota atrás com palavras lindas dirigidas a mim. Nunca vi essa foto ou a nota. A policia levou-a como prova.

Ainda hoje acho que estou tão emocionalmente fodida (desculpem a expressão) porque não sei sofrer. Haverá maneira certa de sofrer afinal? Porque eu sempre me deixei ir a baixo de uma maneira que chegava a depressão.
Fui muito feliz, tão feliz que nem hoje acredito que a felicidade exista assim. Hoje perdi a fé que o meu avô A. sempre me transmitiu. E vou perdendo a fé nas pessoas à medida que vejo a estupidez no mundo. 

Onde quer que estejam, um beijo enorme. Esperem por mim e guardem-me um lugar ao vosso lado. Não estejam tristes por eu fumar, nem pelo piercing ou pela tatuagem. Já não sou a mesma Jane de antes. O mundo fez-me crescer. Amo-vos. Até já.

Xoxo

26.7.17

UM POUQUINHO DE MIM

Hoje quero escrever sobre pequenas coisas que realmente gosto, ou não, quando estou com alguém.
Como já contei aqui, andava a conhecer uma pessoa. E sabem o que me chama a atenção? Ele ser muito muito muito inocente. 
O que mais me cativa é o sorriso.
Adoro piadas secas, meu deus, amo piadas secas. Rio-me de coisas estúpidas e o meu sorriso está sempre comigo. 
Adoro que me olhem nos olhos  (não muito tempo depois fico envergonhada).
Adoro beijos, na testa, na bochecha, uii e no pescoço. 
Adoro próximidade. Estar sentada num banco e pôr as pernas em cima das da outra pessoa.
Adoro mexer no cabelo da outra pessoa. Na cara e acariciar ou apertar as bochechas.
Adoro andar de mão dada, talvez, porque odiava isso com o X, mas agora gosto.
Adoro fazer a cobra (não deixar que me beijem).
Odeio que me comparem a outras conquistas ou namoradas ou amigas. Não gosto.
Odeio que percam tempo a gabarem-se ou a tentar impressionar. Não resulta comigo.
Odeio abraços. Acho constrangedor sinceramente ahahah
Odeio indecisão. Ou se gosta ou não se gosta. Ponto. Não há "não sei, estou confuso".
Adoro momentos de sinceridade. Quando a outra pessoa me conta algo importante.

História rápida:
Como a pessoa que ando a conhecer é muito inocente, como já disse. No nosso primeiro encontro ele beijou-me e olhou para o lado enquanto o fazia então eu disse:
-Sabias que quem desvia o olhar enquanto beija é porque não gosta da pessoa que está a beijar.
Ele aflito acreditou e desculpou-se. Enquanto eu dizia que estava a meter-me com ele.
Azar o meu dois encontros depois fiz o mesmo e levei com a mesma resposta. Não sei, se o que disse é verdade mas deu para rir um pouquinho. Fica a dica ahaha.

Acho que não tenho um tipo definido. A personalidade é o que mais me cativa. Se me fizerem dar uma boa gargalhada chamam logo a minha atenção. Estou numa fase em que o mais importante para mim sou eu mesma,neste momento. Antes do X, era muito segura de mim mesma, estava bem sozinha. Estou a tentar recuperar essa auto estima que perdi. Se tiver de ser, será. Mas por favor desta vez com calma.

XoxO,



24.7.17

MARY E A POESIA

Adoro Fernando Pessoa e adorava do fundo do coração ter conhecido este génio pessoalmente. Para mim, o maior poeta português de todos os tempos. Deixo-vos aqui um excerto de um poema de um dos seus heterónimos. Confesso que é o meu preferido, por ser o "poeta" da Natureza. Alguém mais gosta do Nandinho (como carinhosamente lhe chamo)? 

" (...) Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é."
Alberto Caeiro.