Nem todos os relatos da minha vida que vos conto são maus mas realmente podia escrever um drama da minha vida. ahahah.
Hoje é um acontecimento diferente onde aprendi tanto mas tanto! Com os meus 16 anos uma das pessoas que mais amo no mundo, a minha prima Ana (não é o nome verdadeiro, isso deixo a vossa imaginação) foi-lhe diagnosticado Leucemia. Ela tinha 5 anos na altura. Foi um choque enorme para nós família mas nem imaginam a força daquela criança.
Quando a vi a primeira vez depois do isolamento (é algo normal depois do diagnóstico), estava com uma máscara e eu só a podia ver através do trinque da porta. Estava igual.Linda com o seu cabelo cheio de caracóis, começou logo a gritar do outro lado da porta : "Jane, tenho tantos brinquedos novos, anda vamos cantar com o meu micro novo!" Nem quis acreditar. Nem parecia doente.
Mas à medida que o tempo foi passando começou a notar-se. Teve de cortar o cabelo pois já lhe caía e como não se podia expôr foi uma grande amiga da família cabeleireira lá a casa cortar-lho. Toda a gente chorou, menos eu (verdade, não chorei ahah). Foi a única vez que a vi triste. "Jane, já não vou ser bonita com o cabelo curto?" Fiquei de coração partido. Então decidi fazer-lhe uma promessa: "Amor eu corto o meu cabelo para ficar igual a ti. Adorei o corte quero um igual. Para ser linda como tu". Nem imaginam o quanto ela ficou feliz. O sorriso dela ainda me passa na mente sempre que me lembro.
Dias depois fui com ela e com mãe ao IPO do Porto e eu tenho um grande e volumoso cabelo. Quando entrei na sala havia crianças carecas, sem pernas, em cadeira de rodas mas nenhuma chorava ou fazia birras. "Jane, aquela menina ali é a Cláudia, ela não tem pernas. Não é Cláudia? Mas somos amigas e brincamos muito" "Jane, aquele é o Picamilho o meu amigo, quero que vocês sejam namorados, pode ser?". Ri-me o dia todo. Até que uma senhora me diz: "Querida, devias aceitar, não uses peruca" ahahah não lhe respondi. Afinal não era peruca, era o meu cabelo. E foi aí que me bateu a coragem e no dia seguinte cortei o meu longo cabelo. Ficou igual ao da minha guerreira.
Com o tempo, ela ficou frágil e o corpinho dela também. Passava noites em casa dela para poder ajudar a mãe e o pai que já estavam cansados e dar-lhes umas noites de sossego. Um dia numa brincadeira disse-lhe: "Ana vou ser a tua menina das alianças eu?" Ela respondeu: "Não, Jane, sua tola, eu não vou casar. Eu estou doente"
Foi uma dor no peito horrível, como poderia eu fazer-lhe promessas de vida eterna? Ou responder a afirmação dela?
Outro dia, quando já só tinha uns fios de cabelo, pediu para eu lhe dar banho. Mas a dor que o corpo dela sentia a tocar na água era horrível de se ver. Ela queria que lhe lavassem o cabelo, os fios que ainda tinha. Quando lhe pus o champô comecei a chorar. E ela preocupada diz: "Jane sou tão tola, molhei os teus olhinhos anda cá que eu limpo". Tinha 5 anos! Como era possível? Nunca a vi chorar, queixar ou gritar por estar doente! E estava era preocupada comigo?
Passado uns meses, a luta acabou. A minha princesa ganhou . Nem imaginam o quanto foi feliz. Na altura a U.Dream uma associação incrível, cumpriu-lhe o sonho de conhecer o Pedro Teixeira, o ator (não é burra ela, escolheu o jeitoso ahahah) e a Liliane Marise, a atriz Maria João Bastos. Quando vejo as fotos, acredito que o destino é bom. Que a vida nos ensina a ser fortes com estas batalhas.
Por isso tenho fé com a minha mãe. Por isso luto com ela e lutarei sempre. Espero que tenham fé também. Afinal a minha princesa deu 1-0 à Leucemia. Nós podemos dar 1000-0 aos problemas.
Xoxo, Grata à vida por ter pessoas assim.