A praxe, um dos temas mais falados nos últimos tempos e que gera as mais variadas definições e opiniões. Esta publicação foi feita com o objetivo de partilhar com vocês a minha experiência em relação à praxe, baseando-se apenas na minha vivência.
A ideia desta publicação surgiu depois de ter lido uma publicação feita pela Cherry no seu blog (
aqui), onde ela referiu algumas ideias de posts que poderíamos trazer para os nossos blogues.
Desde que comecei a ouvir falar no ensino superior, cursos e universidades, também comecei a ouvir falar de caloiros, doutores, engenheiros e praxe. Lembro de dizer sempre que iria experimentar a praxe, afinal isto é como a comida, não podemos dizer que não gostamos sem provar. Ouve-se muita coisa, fala-se de muita coisa e, baseando-me na minha experiência voltaria a repetir o meu ano de caloira, fazendo a praxe do início ao fim e gritando até quase ficar sem voz.
Adorei ser praxada, adorei (quase) todos meus doutores - há sempre pessoas de quem gostamos mais, há sempre pessoas que tentam sobrepôr-se aos outros e há sempre aqueles que nos mandam fazer as coisas mais hilariantes de sempre. Há maus e bons doutores, tal como há boas e más pessoas. A culpa não é da praxe, mas sim de quem não sente aquilo que para mim é o verdadeiro sentido dela.
A minha experiência foi incrível, houve dias mais difíceis, dias mais fáceis mas estive sempre lá de corpo e alma, com a mão ao peito por amor ao curso. Enchi, olhei para o chão, cantei, sujei-me, cheirei mal, andei no meio da lama, fiz figuras ridículas que me encheram de rir, dancei, berrei, atirei-me ao rio em Outubro, constipei, fiquei rouca, estraguei roupa, conheci pessoas boas, criei ligação com pessoas que sei que mantenho para a vida, andei à chuva, mas senti-me feliz de estar ali, como se fôssemos um só, todos no mesmo e pelo mesmo.
No início senti-me reticente por ser praxada por pessoas mais novas que eu - no geral -, mas logo descobri que foi sem dúvida uma boa escolha, nunca me senti desrespeitada ou que estivessem a pôr em causa a minha integridade física e emocional.
Não julgo quem não frequentou, quem desistiu a meio ou quem desistiu no primeiro dia. Somos todos diferentes e temos o direito de dizer que sim ou que não. O que para mim pode ser engraçado, para outros pode não ser, é a lei da vida.
A minha opinião pessoal é que se deve experimentar, como tudo, para podermos ter uma opinião mais clara, sejam cinco minutos ou uma hora. Se não gostarem, desistem, sem vergonha nenhuma. No entanto, a decisão é de cada um, sempre.
A minha experiência foi muito positiva, diverti-me muito e, mais importante, aprendi muito. Com a praxe, senti que me integrei muito mais facilmente, aumentei ainda mais o meu espírito de partilha, senti-me e sinto-me ligada a todos os que partilharam a experiência comigo e jamais me esquecerei deles e do muito tempo que olhámos para o chão com uma vontade tremenda de rir. Nunca nos iremos identificar com toda a gente, por isso, concluí que a magia está em todas as diferenças, e que mesmo assim quando alguém ali vai ao chão, vamos todos. Fortaleci laços de união e soube o que é pertencer a uma família nova em pouco tempo. A praxe deu-me pessoas maravilhosas, pessoas com quem vou ter memórias fantásticas, que vão ser lembradas com saudades daqui a uns anos, na realidade, já as sinto. Quem me dera ser caloira outra vez. Para o ano praxo e só quero que transmitir aos meus caloiros o amor ao curso que me transmitiram a mim e ensinar-lhes tudo que aprendi, quero que se sintam integrados e nunca humilhados. Quero fazer com que eles levem memórias tão boas como as minhas e que se lembrem que a praxe é o que nós quisermos que seja.
E vocês frequentaram a praxe? Como foi a vossa experiência?