Sou mulher, NÃO objeto!

23.5.18

Há umas semanas atrás, numa aula foi-nos exposto um caso de violação em Espanha. 
O caso "La Manada", resumidamente numas festas em Sevilha um grupo de 5 homens violou uma jovem de 18 anos, entre os agressores estava um guarda civil e um antigo militar. Estes homens tinham um grupo no Whatsapp chamado "La Manada", enquanto quatro deles a violavam o último gravava com o telemóvel. 
Eis a minha revolta e nojo perante este caso que chegou a tribunal, foi visto o vídeo com 96 segundos e estudado pela polícia que afirma que a miúda mantinha uma posição "pasiva e neutra", que a sua atitude não era participativa e que houve humilhação. No entanto, a justiça espanhola considerou abuso sexual e não violação pois a vítima não mostrou resistência! Na constituição espanhola só é violação se houver resistência. Apesar de estar cientificamente comprovado que as vítimas de violação entram em choque e não conseguem reagir.
A minha opinião é: tenho medo de viver no mundo de hoje e ser mulher. Já nem nas autoridades podemos confiar, a miúda estava alcoolizada mas por favor, dizerem que ela não resistiu? Tenho medo de ser mulher, medo por mim e por todas nós. Ao mesmo tempo pergunto-me como é possível terem só 9 anos de cadeia? Eles destruíram a vida de alguém, alguém que nunca mais vai confiar num homem por culpa de animais, alguém que nunca vai poder fechar os olhos sem se lembrar, alguém que nem com anos de terapia se vai sentir confortável no próprio corpo. 
Como podemos parar isto? Nem vos consigo descrever a raiva e a dor que sinto no meu corpo. Não somos objetos sexuais. Temos direito a dizer sim e a dizer não. Temos direito a expor o nosso corpo quando assim o quisermos, direito a liberdade, direito a não ser chamada de puta por usar decote, direito a não ter uma foto censurada porque mostro pele, direito a ser eu mesma.

Vamos mudar o pensamento, vamos lutar pelas irmãs, filhas, mães, primas, tias, amigas e por nós mesmas para vivermos numa sociedade sem medo.

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7 COMENTÁRIOS

  1. É por notícias como esta que sinto que o caminho ainda é longo! Nem consigo expressar a minha revolta, a minha tristeza, o meu sentido de impotência perante ato desumano

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  2. É muito triste, ainda há tanto, tanto a fazer...
    Beijinhos,
    https://chicana.blogs.sapo.pt/

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  3. Revi-me tanto naquilo que escreveste. Hoje em dia parece que o ser mulher está associado a um medo intrínseco do que pode acontecer.
    Até hoje já se percorreu um longo caminho, mas ainda há também um longo caminho a ser percorrido..

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  4. Eu tento não me condicionar por ser mulher mas tenho que admitir que não gosto de andar sozinha na rua à noite. Confesso que me sinto desconfortável quando com certas roupas olham para mim. Eu não me visto para as pessoas olharem mas, infelizmente, há muitos homens que acham que podem fazer comentários estúpidos. Ainda há muito caminho por percorrer e histórias como esta só me dão mais desalento. Vivemos no meio de animais, está visto.

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  5. Que horror, estes casos também me revoltam e muito. Como é que é possível? :(

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  6. Estes casos deixam-me mesmo revoltada com a justiça que temos neste mundo. Caramba, por amor de Deus, como é que querem que a rapariga tivesse resistido se ela estava alcoolizada. Mas mesmo que não tivesse, é como tu dizes, muitas vítimas entram em choque. Há muitas leis que não fazem sentido nenhum nem protegem quem realmente precisa de ser protegido.
    Apesar de todo o debate que se tem gerado ultimamente em torno do abuso sexual, ainda há homens que se decidem comportar como animais. Quando não violam mesmo, passam a vida a assediar mulheres. Eu não me visto de forma provocadora, mas já fui inúmeras vezes assediada. A mais recente foi no dia do Cortejo quando estava, tranquilamente à beira das grades a ver os cursos a passarem, e tenho um homem atrás de mim com a fingir que mãos entrelaçadas à frente, mas aos poucos, a ir tocando no meu rabo, tendo-me chegado a apalpar. Pedi-lhe inumeras vezes para se chegar para trás, e só quando eu lhe pisei com força os pés é que ele parou.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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